quinta-feira, 16 de abril de 2009

palavrinhas grandes

Certas expressões têm se tornado unidade de medida e ordem de grandeza com palavras comuns, que em teoria não seriam empregadas nestas circunstâncias. Confira estes dois (este post e o próximo) extratos da internet, recebidos por email. Este daqui é, no mínimo, instrutivo (talvez um tanto mal-educacional! rsrs).

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Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liqüida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!". Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!". O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se.

(texto atribuido a Millor Fernandes)
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Pessoalmente, acredito que o melhor palavrão é aquele não dito! Daí sua palavra valoriza, e qualquer mero adjetivo pode adquirir uma conotação "pesadíssima"!! rsrs

7 comentários:

Yara Albuquerque disse...

Realmente, ele pode até ser um texto mal educado... mas qm não solta um PUTA QUE PARIU longo e demorado quando encontra o seu carro todo arranhado e a chave está com o FILHO DA PUTA do seu filho?!?! Pois é, eles estão ai pra libertar o povo, ele liberta os sentimentos comprimidos...

Esse texto tb fica muito mais hilário na peça Nós Na Fita... Muito bom...

iara-alencar disse...

mais uma iara...pelo menos ela é com yssilon!!
ok, eu prefiro um vai tomar banho na soda seu desgraçado!!
ou então um:
"vaza"!!!

ou ainda um ligeiro e sonoro:
Isso é uma ordem!!!!

iara

Andre Martin disse...


Yara Albuquerque:
Sim, Leandro Hassum e Marcius Melhem fazem um show espetacular em "Nóis na Fita". Quando publiquei este texto, pensei em fazer um referência à interpretação deles, mas acabei deixando passar.

Obrigado por mencionar aqui!

Eis o link abaixo, para quem quiser conferir:
http://www.youtube.com/watch?v=VPSX5tgwyNA

Andre Martin disse...


Iara-Alencar:

Um primo meu conta que tinha uma empregada que sempre xingava "Vai tomar NO banho!" (rsrs ela misturava uma expressão com outra, penso que dá mais peso e não chega a ser explícito)

Confesso que nunca tinha ouvido a expressão "Isso é uma ordem!!!!" como um palavrão... Se for, o exército anda mal de boca! LOL


Marla Freire disse...

Interessante.

JAIRCLOPES disse...

Esse texto é um clássico que não me canso de ler, e cada vez fica melhor, parece até um bom vinho. Realmente, quando saiu foi atribuído a Millor Fernandes porque é dele. Ele publicou esse texto em livro que agora não recordo o nome. Abraços, JAIR.

Andre Martin disse...


Jair:


Obrigado pela confirmação!

Na internet muita coisa circula pegando carona em nomes de escritores e cronistas famosos, sem que seja realmente deles. Uma "vítima" crônica é Arnaldo Jabor, porque os textos realmente dele são bastante apreciados por sua sutileza direta e ácida e humor refinado.

Abraço.